O Canto dos Seres - Saudade da Natureza, de Pedro Sinde, e Filosofia do Ritmo Portuguesa, de Rodrigo Sobral Cunha, livros publicados em 2008 pela Serra d'Ossa Edições, na colecção Textos de Arte Poética, foram objecto de recensões críticas no terceiro número da revista Nova Águia.
Joaquim Domingues, que se ocupou de O Canto dos Seres, refere-se a este livro como "uma bela composição, no âmbito do que Leonardo Coimbra crismou de lirismo metafísico".
E prossegue:
"Sem prejuízo do seu valor probatório - que nem só as fórmulas matemáticas ou a lógica elementar garantem as certezas que professamos -, o estilo argumentativo, de índole predominantemente lírica, vive da evocação da experiência pessoal em face da natureza animada. O lirismo metafísico, contudo, não resulta da exaltação do eu, nem do gosto da subjectividade, antes está apostado em patentear as verdades que aí estão, dentro e diante de nós, impressas na criação, ou, acima de nós, projectadas nos céus.
"Poucos se têm aventurado neste difícil exercício, que conta algumas das mais ricas obras da nossa literatura, como A Alegria, a Dor e a Graça, de Leonardo Coimbra, mas também muito belas e altas páginas de Teixeira de Pascoaes, de Raul Brandão e de Guerra Junqueiro, por exemplo. Já se sabe que não faltará quem rejeite para o domínio da fantasia inconsequenmte essas e outras provas de que o de que o 'amor da sabedoria' não se confina a fórmulas pré-estabelecidas, mesmo quando dignas de todo o respeito e apreço. Uma filosofia que apenas atendesse à razão, para mais concebida a partir do modelo cientificista, revelar-se-ia, porém, tão insatisfatória e absurda como a que se restringisse aos testemunhos da sensibilidade, se tal fosse possível..."
Debruçando-se sobre a Filosofia do Ritmo Portuguesa, António Braz Teixeira escreve:
"Este pequeno livro, rico em sugestões e pistas reflexivas, visa demonstrar a afirmação liminar de que "há uma filosofia do ritmo portuguesa " (p. 9), cujo centro irradiador se encontraria na filosofia criacionista do ritmo ou "monadologia rítmica" de Leonardo Coimbra e na ritmanálise de Lúcio Pinheiro dos Santos. Daí que seja este o núcleo do volume, completado por duas outras partes, intituladas, respectivamente, Afinidades e O ritmo excelso".
E, a finalizar, considera:
"Rigorosamente pensado e elegantemente escrito, este breve e denso ensaio de Rodrigo Sobral Cunha anuncia um pensamento amadurecido e original, situado na relação de essencial complementariedade entre poesia e filosofia, ao mesmo tempo que confirma as qualidades de subtil e compreensivo hermeneuta (presentes no seu recente volume sobre a filosofia de Silvestre Pinheiro Ferreira), pensador e intérprete dotado de voz e visão própria no quadro da mais nova geração da filosofia portuguesa, que, embora não haja beneficiado do magistério directo de José Marinho, Álvaro Ribeiro, Sant'Anna Dionísio ou Agostinho da Silva, tem sabido honrar e prosseguir dignamente a sua herança especulativa".
Filosofia do Ritmo Portuguesa suscitou ainda, neste terceiro número da Nova Águia, um breve apontamento a Renato Epifânio. Eis um excerto: "Este é, antes de mais, um livro escrito com o corpo. Porque só o corpo tem, antes de mais, a experiência do ritmo que atravessa todo o cosmos, todo o ser. De tal modo que, como escreveu Teixeira de Pascoaes, se pode mesmo dizer que "o ritmo é a substância das coisas".
09 Junho, 2009
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